Desvendando a Complexidade: Como Pequenas e Médias Empresas de Logística e Comércio Exterior Podem Resolver Problemas de Forma Estruturada

O setor de Logística e Comércio Exterior (Comex) no Brasil é notoriamente complexo, marcado por variáveis que vão desde a instabilidade regulatória até gargalos operacionais no transporte e armazenamento. Para Pequenas e Médias Empresas (PMEs) inseridas nesse cenário, a capacidade de resolver problemas de forma estratégica não é apenas uma vantagem competitiva — é uma necessidade para a sobrevivência e crescimento.

Muitas vezes, a pressão por resultados imediatos leva equipes a buscar soluções antes mesmo de definir claramente o obstáculo real, resultando em desperdício de tempo e recursos. A chave para a eficácia está em aplicar metodologias estruturadas, garantindo que os esforços estejam focados no que realmente importa.


1. Fuja da Armadilha da Solução Imediata

O primeiro passo em qualquer projeto é evitar confundir sintomas com problemas, e problemas com soluções.

No ambiente de Comex, um indicador pode acender o alerta:
“Entregas dentro do prazo caíram.”

O erro comum é pular direto para a solução aparente:
“Precisamos de um novo software de rastreamento.”

Mas o verdadeiro problema é outro:
Por que as entregas estão atrasando?

Essa diferenciação evita abordagens superficiais e abre caminho para decisões baseadas na realidade — e não em percepções fragmentadas.

Uma boa prática é adotar uma visão sistêmica, garantindo que diferentes áreas compartilhem informações e enxerguem o todo (não apenas “uma parte do elefante”).


2. Caracterizando o Problema: A Tríade da Análise

Antes de agir, é preciso caracterizar o problema com clareza, evitando vieses e diagnósticos equivocados. Essa análise utiliza três tipos de perguntas:


a) Perguntas Exploratórias – Entendendo o Contexto

Ajudam a mapear o cenário sem julgamentos.

  • Quais são os sintomas e onde estão ocorrendo?
  • Quais processos ou equipes estão envolvidos?
  • O que já foi tentado anteriormente?

b) Perguntas Reflexivas – Desafiando Suposições

Combatem crenças automáticas e interpretações precipitadas.

  • O que estamos assumindo que pode não ser verdade?
  • Como o problema seria interpretado pelo cliente final?

c) Perguntas Investigativas – Buscando a Causa Real

Direcionam para a origem do problema.

  • Quais os possíveis motivos para o problema ocorrer repetidamente?
  • O que os dados históricos revelam sobre esse comportamento?

3. Decompondo o Desafio e Buscando a Causa Raiz

Problemas grandes geralmente são, na verdade, um conjunto de problemas pequenos. A técnica da Decomposição permite separar o problema principal em partes menores e gerenciáveis.

Exemplo:
“Instalação de sensores na frota”
→ Falhas no sistema de controle
→ Avaliação individual dos sensores
→ Interferências e conectividade

Isso reduz complexidade e transforma um desafio gigante em passos executáveis.

Em paralelo, identificar a Causa Raiz é essencial para evitar soluções temporárias.
Ferramentas como o Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe) organizam causas por categorias:

  • Método
  • Máquina
  • Medida
  • Meio Ambiente
  • Material
  • Mão de Obra

Essa estrutura facilita análises objetivas e decisões duradouras.


4. O Rigor do Teste de Hipóteses

Mesmo após identificar a causa raiz, ainda é preciso validar as soluções.

A adaptação do método científico ao contexto empresarial garante que decisões sejam orientadas por evidências.

Transforme suposições (como as da matriz CSD) em hipóteses testáveis, usando a estrutura Sim–Então:

Se adicionarmos uma segunda validação via câmera no processo de conferência,
então a taxa de erro na entrega ao cliente final reduzirá em 20% no próximo trimestre.

Validação exige consistência: teste a hipótese em situações diferentes ou com amostras distintas.
Se for refutada, revise e recomece — faz parte do ciclo.


5. Medindo o que Realmente Importa: O Poder dos KPIs

“Só é possível melhorar aquilo que se pode medir.”
Mas medir errado pode ser tão prejudicial quanto não medir.

PMEs de logística e Comex devem evitar métricas de vaidade, que não conversam com o objetivo real.

Exemplos:

  • Medir “volume de cargas processadas” não resolve um problema de falhas na entrega.
  • O KPI correto seria: Custo por Avaria na Última Milha.
  • Ou: Tempo Médio de Liberação Aduaneira por Tipo de Documento.

Bons KPIs são:

  • Específicos
  • Relevantes
  • Alinhados ao problema real
  • Acompanháveis no tempo

O Ciclo de Melhoria Contínua

Integrar as técnicas Definir → Caracterizar → Decompor → Testar → Medir transforma desafios complexos em oportunidades estruturadas de evolução.

O problem solving não é uma linha reta, mas um ciclo.
Revisitar a análise, desafiar premissas (Reframing) e validar dados garante que sua empresa navegue com estratégia — e não à deriva.

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Especialista em Gestão da Qualidade e Melhoria contínua. Criei esse blog para ajudar as empresas do segmento logístico na aplicação das ferramentas Lean e de Qualidade em seus processos.

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